quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eu "não" me lembro!


Você já assistiu “Eu me lembro”, de Edgard Navarro? Ou, você já ouviu falar sobre esse filme? Se a resposta for negativa às duas perguntas não se sinta frustrado(a), esse é o problema da produção independente de cinema no Brasil, quiçá em todo o mundo. Segundo Silvio Tendler, critico e cineasta, no artigo intitulado Eu me lembro, um Amacord brasileiro, “Os melhores filmes brasileiros não são vistos pelo grande público” e ainda no mesmo artigo ele diz que, “Eu me lembro” tem a magia do gênio italiano, condimentado com tempero baiano: Pimenta na dose certa”. Acontece que este filme é mais um caso de lançamento sem apoio da mídia e que, portanto, acaba restrito a circuitos alternativos. E, no caso de uma cidade como Feira de Santana, cujo cinema se resume ao complexo norte americano MULTIPLEX ORIENT CINEPLACE, localizado no IGUATEMI, torna-se mais difícil a exibição desse tipo de produção. Por isso, por constituir-se também como um espaço para o áudio visual alternativo, o cineclube Imagens: Cinema na UEFS exibirá “Eu me lembro”, através do Bahia de Todos os Filmes, mais um programa criado pelo grupo que já está a 4 anos incentivando a cultura cinematográfica na Universidade Estadual de Feira de Santana e na cidade. O filme que terá sessão às 18h, na sala de projeção da Biblioteca Central da UEFS, foi o grande vencedor do 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa recebeu sete troféus Candango durante a premiação, melhor filme 35 mm, melhor direção e melhor roteiro (para Edgar Navarro), melhor atriz (para Arly Arnaud), melhor ator coadjuvante (para Fernando Neves), melhor atriz coadjuvante para (Valderez Freitas Teixeira) e melhor critica. “Eu me Lembro” é um filme de memória, cuja inspiração autobiográfica do realizador une realidade e ficção para apresentar por meio de lembranças particulares toda uma geração. Trata-se de uma mostra singular de um filme que passou despercebido pelo grande público. Convite feito, lembrem de “Eu me lembro”.

sábado, 20 de setembro de 2008

I CONCURSO DE CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA NA BAHIA


À esquerda a fotografia do crítico baiano Walter da Silveira, mentor do cineclube Clube de Cinema implantado em Salvador nos anos 50.
A DIMAS (Diretoria de Audiovisual -BA) prorrogou as inscrições até o dia 29 de setembro de 2008 para o primeiro concurso de crítica cinematográfica no estado da Bahia denominado I CONCURSO ESTADUAL DE CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA WALTER DA SILVEIRA. Trata-se de uma homenagem a um dos críticos mais importantes da Bahia e do Brasil, professor de muito cineasta famoso, a exemplo de Glauber Rocha. Walter da Siveira foi o ensaísta cinematográfico, cuja obra completa, quatro grossos volumes, foi lançada em 2006: "Walter da Silveira. O Eterno e o Efêmero". Além de ser uma belíssima homenagem, o concurso equivale a um grande incentivo a produção crítica feita em solos baianos contemporaneamente acerca do cinema nacional e internacional. Os interessados devem escolher um filme nacional e um filme estrangeiro pertencente às listas fílmicas criada pelos membros escolhidos pela DIMAS que estão disponíveis no endereço:
http://www.dimas.ba.gov.br/critica_2008/index.htm. Outra coisa muito interessante é que os três primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro. Portanto, aproveitem o tempo para dar uma conferida no site para saberem de melhores informações e quiçá, participar desse evento raro.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Anima UEFS


Atenção animadores e aficionados pelo cinema de animação!!!
Haverá em Feira de Santana, entre os dias 11 e 12 de dezembro de 2008, a primeira mostra de animação da cidade. O evento é mais uma iniciativa do cineclube Imagens: Cinema na UEFS que conta com o apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS e com o Centro de Cultura e Arte - CUCA. Já estão garantidas as participações dos animadores Caó Cruz e Fausto Jr. (Presidente da Associação de Cinema de Animação da Bahia - ABCA). Estarão abertas inscrições para animadores de todos o Brasil interessados em mandar suas realizaçõesções. Abaixo segue o texto do Anima UEFS. E, obtenha maiores informações no blog: http://projetoimagensuefs.blogspot.com/
Anima vem do Latim, e significa “alma”. É isso que os vídeos de animação têm de especial, eles dão alma a qualquer coisa que tocam, eles dão vida ao que a nossa imaginação quiser.
Então, se você gosta de uma boa estória, gosta de imaginar um mundo onde tudo é possível, até maçinhas virarem gente ou gente virar papel, não poderá perder, no período de 09 a 12 de dezembro de 2008 o CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte da UEFS, o I ANIMA UEFS, um festival de vídeo de animação que envolverá o melhor da animação baiana e nacional, unindo num mesmo espaço, diferentes técnicas de Animação e diversas formas midiáticas e tecnológicas traduzir em narrativa, ao mesmo, tempo de sons, imagens e movimentos.

É cada vez maior o numero de profissionais envolvidos, neste gênero inventando novas técnicas, estilos e temas, gerando um grande volume de filmes. Essa forma de expressão cultural múltipla e independente também está sendo desenvolvida em Feira de Santana e precisa ser incentivada para que possa ocupar seu lugar no audiovisual brasileiro e em mercados externos.
O I Anima UEFS, idealizado por Aloma Galeano e abraçado pelo Projeto Imagens – Cinema na UEFS, abrirá espaço para a Animação em Feira de Santana, incentivando novos talentos e divulgando animadores brasileiros.

Há muitas outras intenções e razões por detrás desta Mostra que, sem dúvida, confirmam sua importância e a oportuna realização. Querem saber? Então vamos citar só três:
* Mobilizar e provocar um olhar crítico sobre o Cinema de Animação;
* Mostrar a força da arte da animação como meio potencializador da cidadania e suas conseqüências positivas na formação do sujeito que vive inserido em uma sociedade da informação e do conhecimento e que prima por uma nova visão de educação;
* Valorizar a animação enquanto estímulo ao desenvolvimento de habilidades pessoais e de expressão individual, visando a formação do cidadão através da arte.
As outras vocês, certamente vão descobrir assistindo as sessões animadas!

Texto: Nadia Virginia

domingo, 14 de setembro de 2008

Cinema baiano: 59 a 62 e o pós 60.

Entrevista com André Setaro, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e crítico cinematográfico

A.G.: Num dos seus mais polêmicos artigos, escrito na A TARDE, você diz que não existe uma cinematografia baiana e que não se pode falar em cinematografia baiana sob pena de estar incorrendo em um erro conceitual. Fale sobre isso.
SETARO: É o seguinte, para haver uma cinematografia é necessário que haja uma produção continuada, sistemática. Por exemplo, um filme realizado, quando este filme termina de ser produzido, se começa outro filme. Que haja uma continuidade de produção! Sem a continuidade de produção não pode se falar em cinematografia. Na Bahia, existem filmes longos sendo realizados, mas espaçamente. E filmes promovidos por editais do governo, ministério da cultura... não há, aqui na Bahia, atualmente, uma produção continuada, ou seja, não se pode ver de cinema, então, não se pode falar, portanto, de uma cinematografia baiana. O que existe aqui são filmes baianos. Existem filmes baianos, mas não existe uma cinematografia baiana.

A.G.: E para você, a quê se deve isso? Por que esses cineastas não têm uma produção continuada?
SETARO: Não têm por causa das dificuldades. O cinema baiano vive dos editais, das esmolas governamentais. Por exemplo, o cineasta baiano, porque o cinema exige um capital muito grande, não tem condições de realizar seu filme longo. Ele depende dos concursos de roteiros, dos editais da fundação cultura, para que, premiado, faça seu filme.Como aconteceu com os filmes longos do cinema baiano.A maior parte deles surgiram dos editais governamentais, como: “Eu me lembro”, “Pau Brasil”, de Fernando Berlens; ou de verbas do governo, que são também as verbas do Ministério da Cultura, a exemplo de “Jardim das Folhas Sagradas”, de Pola Ribeiro, “Revoada”, de José Umberto, “Esse Moços”, de Araripe, enfim. Então, fazer cinema na Bahia só é possível através da ajuda do governo.

A.G.: Para você, o fato de existirem a ABCV (Associação Baiana de Cinema e Vídeo), o Programa QUARTAS BAIANAS, a Jornada de Cinema da Bahia, o SEMCINE, a recente inauguração da faculdade de cinema no recôncavo pela UFRB, sem contar com as iniciativas cineclubistas existentes também no interior baiano que divulgam o cinema feito na Bahia, tudo isso, não implica numa articulação proveniente de um CINEMA BAIANO?
SETARO: Isso implica na existência de um desejo de se ter um Cinema Baiano. Uma aspiração de se ter. E, na verdade, ainda tem outro problema grave, o do tripé PRODUÇÃO-DISTRIBUIÇÃO-EXIBIÇÃO. Não adianta você produzir um filme. Por exemplo, aqui na Bahia me parece, estão 7 filmes longos produzidos, acabados, feitos. Mas, eles não estão arranjando Distribuidora, nem estão tendo possibilidade de serem exibidos. Porque, o mercado brasileiro de salas de cinema, está 99% tomado pelos complexos de cinema que são multinacionais, “Multiplex”, “Cinemark”, etc. Então, como marcar um filme, se você tem, por exemplo, “Cascalho”, de Tuna Espinheira que está pronto para ser lançado, mas está inédito, assim como tantos outros? Porque, para o cinema brasileiro ser viável e exeqüível, a produção filmíca tem de entrar em parceria com as multinacionais. Existe uma lei que determina que 11% do lucro dessas multinacionais tem de ser aplicados no Brasil. Então, as multinacionais estão aplicando em cinemas. Mas, elas não aplicam em qualquer filme, aplicam em filmes que tenham uma viabilidade comercial. Por isso, estão em parceria com Cacá Diegues, Luís Carlos Barreto,Walter Salles, eixo Rio-São Paulo. Pois, estes diretores já têm uma perspectiva de mercado garantida a priori. Uma multinacional não quererá uma parceria com cineastas baianos, se no filme não houver atrizes globais e uma possibilidade comercial bem efetiva, bem clara. Então é isso, os filmes baianos estão sendo produzidos, mas não estão sendo exibidos. Eles estão parados. E, quando conseguem, são exibidos em salas alternativas. No caso de “Esses Moços”, deram, com uma bondade muito grande, uma sala no Multiplex. Uma salinha pequena, não tinha ninguém. Não houve boa divulgação. É que ainda tem isso, além de um orçamento de um filme, cê tem que ter um grande orçamento para divulgá-lo. Marketing. É tudo muito difícil!

A.G: Para você qual é a principal diferença entre os filmes do Ciclo Baiano de Cinema e os da geração pós anos 60?
SETARO: Embora já existissem curtas sendo feitos a partir da segunda metade dos anos 50, o Ciclo Baiano de Cinema começou a partir de “Redenção”, (1959), de Roberto Pires, e foi até mais ou menos 73, 74. O último filme foi “O Grito da Terra”, de Olney São Paulo. Mas, naquela época, a realidade era completamente diferente. Se o cinema baiano hoje vive necessitado do estado para ser feito, antes, o cinema baiano era feito por produtores independentes. Por exemplo, “A Grande Feira”, “Tocaia no Asfalto” e “Barravento” foram feitos por Rex Shindler que tirou dinheiro de seu próprio bolso. Ele era um homem rico. Tinha vários loteamentos na Pituba e vendeu vários lotes para produzir e investir em cinema. Então, é outra realidade. Todos ficaram admirados com a possibilidade de se fazer cinema por causa de “Redenção”, que por sua vez, foi uma produção de Hélio Moreno Lima, um cara de Ilhéus, cacauicultor, que resolveu investir e ajudar. Rex Shindler, Braga Neto, David Singer, Glauber, todos eles ficaram admirados com a possibilidade de se fazer cinema na Bahia. Rex Shindler poderia ter investido em outra coisa, mas investiu em cinema, acreditando que iria ter sucesso e que iria ter essa continuidade da qual eu falo. Assim, ele produziu “Barravento”, “A Grande Feira”, e “Tocaia no Asfalto”, e depois tudo parou. E por quê? por causa, justamente, desse velho problema da distribuição. Por exemplo “A Grande Feira” obteve na Bahia, em Salvador, a maior bilheteria do ano em 1962, superando “Ben Hur” que era o grande filme, com a maior bilheteria do Brasil. Mas, Rex Shindler não conseguiu fazer escoar “A Grande feira” em outras capitais, recebendo o boicote, inclusive de produtores brasileiros, como Oswaldo Massaini que filmou aqui “O Pagador de Promessas” que é uma produção paulista, não baiana, embora toda filmada na Bahia. E, como o filme ganhou a palma de ouro, Massaini engavetou “A grande feira”, queimando seu lançamento. Aí, como os filmes não estavam possibilitando o retorno do capital investido, Rex Shindler resolveu parar. Então, o fim do Ciclo Baiano de Cinema se deve muito ao não retorno do capital investido por problemas desse tripé da PRODUÇÃO-DISTRIBUIÇÃO-EXIBIÇÃO e continua assim até hoje!

A.G: Você acredita que o cinema nacional contemporâneo e, conseqüentemente o cinema produzido na Bahia, são desprovidos de uma identidade?
SETARO: De certa forma sim. Eu acho, por exemplo, o cinema atual pernambucano muito mais rico do que o cinema atual baiano. Porque, o cinema pernambucano busca suas temáticas nas suas próprias raízes. Ce vê, “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, “Amarelo Manga” e “O Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, “Árido Movie” ligado aquela coisa Chico Science... os pernambucanos buscam na sua cultura, até transformando-a em uma cultura pop, as suas inspirações e suas temáticas, enquanto que o cinema baiano está muito multifacetado. Ce vê “ Jardim das Folhas Sagradas” que é um enchimento de azeite de dendê despropositado! É uma busca pesada nos elementos afro, mas de uma maneira não tão bem inspirada. “Eu me Lembro” é um filme autobiográfico, é um filme sobre Edgard Navarro, embora reflita toda uma geração de sua época. “Revoada” é um filme de cangaço. “Cascalho” é uma adaptação de um romance literário de Heberto Sales que se passa nos anos 30. Então, os filmes baianos feitos na contemporaneidade, não têm uma identificação. São peças soltas.

A.G.: Mas essa circunstância múltipla e multifacetada no cinema baiano, não se deve ao fato de a Bahia e o Brasil serem representantes de diversos povos e diversas culturas que convivem num só solo?
SETARO: Não. Precisaria ter um denominador comum. Esses filmes não são representantes desse denominador comum. Como existe um denominador comum no cinema pernambucano atual. O cinema baiano não apreende essa diversidade que você fala. E se apreendem, apreendem muito mal!

A.G.: Muitos estudiosos, a exemplo da Profª. Maria do Socorro, autora de “A Nova Onda Baiana”, defendem que em meados dos anos 50 o público baiano consumia mais a cultura cinematográfica do que o de hoje. Para você, isso se deve apenas a presença das telenevelas, dos filmes pirateados transmitidos em DVD e de sites da internet onde se pode baixar filmes diversos?
SETARO: Sem dúvida nenhuma! Basta dizer que há 30 anos tínhamos em torno de 5 mil cinemas no Brasil, hoje temos mil e oitocentos. As pessoas estão deixando de ir ao cinema. O povo não vai mais ao cinema. O cinema, que era um meio de comunicação de massa, virou um meio de comunicação da elite. Foi feita recentemente uma pesquisa aqui na Bahia, que tem 3 milhões de habitantes, que diz que menos de trezentos mil pessoas vão ao cinema.Isso quer dizer, menos de 10%.Então isso quer dizer que 2 milhões e setecentos mil não vão ao cinema.O que é assustador!

A.G.: Mas por quê isso?
SETARO: Porque, os ingressos são caríssimos! Porque os filmes passam em complexos e as pessoas menos aquinhoadas não têm acesso aos cinemas de complexo. Inclusive, não têm coragem de entrar. São constrangidas. Antigamente o cinema era barato, não somente os de primeira linha, como os cinemas de rua que foram todos fechados! Antigamente tínhamos cinemas populares 3, 4, na Baixa dos Sapateiros. Em cada bairro tinha o seu cinema. A coisa era muito diferente. Hoje se verificou que a freqüência aos cinema é do publico infanto-juvenil. O adulto, com raras exceções evidentemente, não está indo mais aos cinemas. Ele espera que o filme saia em dvd. É por isso que está existindo uma infantilização temática nos filmes americanos. Além desse fator econômico, inclusive o MINC deveria criar sala de digital, porque digital é uma coisa acessível, pelo Brasil inteiro, pelas periferias. E tem também outra coisa, o cinema antigamente era restrito a uma sala, e hoje não, tem o dvd, a baixaria da internet, é que todo mundo agora ta baixando filmes pela internet, né! A imagem em movimento está presente a todo instante. É que o advento de novos suportes e das novas tecnologias contribui cada vez mais para que as pessoas fiquem em casa. Ainda tem outro fator, que é o fator da violência. As pessoas não vão aos poucos cinemas ainda existentes fora dos complexos por terem medo de serem roubadas. E isso é mal, porque ver um filme é vê-lo em congregação, numa platéia. Há um sentimento em comum. É muito diferente ver um filme em casa, sozinho.

A.G.: No seu artigo “Um angu de caroço”, publicado no site do TERRA, você questiona sobre se ao invés de haver editais para projetos de elaboração fílmica, que se pense numa solução para a distribuição dos filmes baianos com construção de salas alternativas para se exibir o filme brasileiro. Mas, o que dizer da baixa freqüência de público na Sala Walter da Silveira, nas exibições de filmes nacionais e, sobretudo de filmes baianos através do veterano programa QUARTAS BAIANAS?
SETARO: O problema da Sala Walter da Silveira, apesar de ter uma ótima programação, é que o bairro dos Barris está ficando perigoso. Então, a classe média fica com medo de estacionar por ali. Não há uma fiscalização. Infelizmente, o bairro dos Barris, que já foi um lugar tranqüilo, hoje já impõe desconfiança.

A.G.: E o que você tem a dizer sobre a baixa freqüência de público em mostras exclusivas em cineclubes de filmes raros, sobretudo baianos, filmes ainda não acessíveis em dvd e muito menos na internet?
SETARO: É que as pessoas se desacostumaram a ir ao cinema com a freqüência que iam antigamente. E, uma mostra como essa, de filmes exclusivos, acaba entrando na vala comum, da apatia, do desinteresse. Porque hoje, as pessoas só pensam em mercado. Não existe mais nenhum contanto dos estudantes dentro das faculdades. Eles assistem aula e vão embora correndo para o estágio. Quando na verdade é necessário a disponibilidade de nada fazer. Pelo menos na minha época era assim, o contato, sair para tomar uma cerveja... e isso é importante. Você interage com a outra pessoa. As pessoas não estão mais interessadas em nada que lhes proporcione o ingresso no desgraçado do mercado. É terrível esse mundo! Tudo tem haver com essa baixa freqüência!

A.G.: O que você pensa sobre o regresso ideológico “Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”, unido à facilidade da tecnologia digital, posição difundida hoje em seminários, festivais e mostras de cinema? Isso pode trazer conseqüências anti-cinematográficas aos filmes a serem feitos pela nova geração Baiana?
SETARO: Isso para mim é uma faca de dois gumes. Se por um lado proporciona a democratização da expressão cinematográfica, ou da expressão pelo produto audiovisual, por outro permite que todos façam cinema. Mas tudo bem, que todos façam cinema! O tempo se encarregará de pegar 90% disso é colocar na lixeira! Os filmes que realmente vão ficar, quem vai dizer é o tempo. Vai haver muita porcaria! Alguns poucos ficam. Os eleitos serão poucos. Mas essa democratização da expressão é importante. Mas, o que também tenho notado com isso é uma despreocupação, porque como para fazer cinema antigamente era muito caro, as pessoas para realizar um filme estudavam o roteiro, porque não podia desperdiçar. Não podia perder! Tudo era muito caro! Pensava-se a estrutura do filme antes de fazê-lo. Hoje, com essa democratização tem gente aí que pega uma câmera, liga, sai correndo filmando e filmando NADA!

A.G.: O Ciclo Baiano de Cinema foi denominado como a Nova Onda Baiana, devido ao boom cultural que se deu na Bahia em meados de 58 a 62. Hoje já se fala em uma Novíssima Onda Baiana. Você acredita que isso indica uma ruptura ou uma continuação do pretérito?
SETARO: Isso é só uma questão de rótulo. Eu discordo de se chamar NOVA ONDA BAIANA o CICLO BAIANO DE CINEMA. Ele deve ser chamado assim como está, CICLO BAIANO DE CINEMA. Agora o Jorge Alfredo inventou que a produção recente de 95 para cá, denomina-se de NOVISSIMA ONDA BAIANA. Mas, é apenas uma questão de rótulo. Para mim, a NOVA ONDA BAIANA seria essa. O CICLO BAIANO DE CINEMA é uma coisa que ficou lá, no passado; os que foram realizados de 95 para cá é que são um NOVA ONDA.